O Capacitor
Review | V Rising
Review

Review | V Rising

Em março de 2026 a Stunlock Studios avisou que V Rising estava pronto. Sem 1.2, sem novo mapa, sem suporte a mods: o estúdio considerou o jogo completo e foi cuidar de um projeto novo no mesmo mundo gótico. Para quem chega agora, isso não é notícia ruim. É a garantia de que o jogo que você instala hoje é o jogo inteiro.

Instalei essa versão final no Steam Deck e ela virou o que eu levo para o sofá. Um vampiro isométrico que constrói castelo, foge do sol e caça chefes parecia coisa de mouse e teclado. Joguei desconfiado e o portátil da Valve deu conta melhor do que eu esperava, com uma ressalva que aparece sempre no mesmo tipo de momento.

Trilha estreita de floresta cortada por uma faixa de sol, com o vampiro parado na sombra das árvores

O sol é o melhor inimigo do jogo

A ideia que segura V Rising de pé é simples: o sol machuca. Cada travessia de mapa vira um problema de rota, porque a linha reta passa por clareira aberta e a sombra faz curva. Você aprende a ler o cenário pela posição das árvores e dos beirais, e a calcular se dá tempo de atravessar antes do amanhecer.

Isso transforma exploração em decisão constante, que é onde o jogo mais me ganhou. Sair à noite, abrir três regiões novas, roubar recursos de um vilarejo e voltar antes de virar cinza é um ciclo que continua funcionando na quadragésima vez. A progressão acompanha: cada área nova pede um material que só existe mais à frente, e o mapa vai se abrindo por capacidade, não por permissão.

O vampiro montado a cavalo em uma floresta nevada à noite, com uma explosão de magia azul à esquerda

A montaria e a forma de lobo mudam a escala da viagem sem apagar o risco. Continua sendo possível morrer a dois passos de casa porque o dia nasceu antes da conta, e a punição é sempre a mesma: refazer o caminho, com o inventário na mão.

Cada V Blood é uma aula, e o troféu é o poder do chefe

Os chefes são o outro motivo de o jogo prender. Cada V Blood tem um padrão próprio, um espaço próprio e uma dose de agressividade que não perdoa quem entra apressado. São lutas de leitura, com espaço para recuar, e quase todas podem ser vencidas com paciência em vez de nível.

O detalhe que faz diferença é o prêmio. Derrotar um chefe não devolve só uma barra de experiência: devolve a habilidade dele, uma receita ou uma estrutura para o castelo. A caçada deixa de ser tarefa e vira lista de compras, porque cada nome no mapa corresponde a algo concreto que você quer.

O vampiro conjura um círculo de magia em uma praça de vilarejo à noite, com uma fila de cavaleiros se aproximando

O combate isométrico com analógico funciona melhor do que a fama do gênero sugere. A mira assistida do controle resolve bem os ataques direcionais, e no Deck os gatilhos traseiros ajudam a manter o dedo no esquive sem soltar o movimento.

O castelo é a metade do jogo que ninguém avisa

A parte de construção parece acessório de sobrevivência e não é. O castelo tem planta baixa, requisito de piso, cômodo com função e servos que saem em missão enquanto você joga. Manter o caixão alimentado, a forja abastecida e o jardim produzindo é logística de verdade, com consequência quando algo falta.

O visual acompanha o esforço. As salas ficam grandes, os corredores ganham tapete e candelabro, e o resultado, visto de cima, é uma construção gótica que parece de alguém, não de um menu. Passei mais tempo redesenhando parede do que gostaria de admitir para um jogo que eu tinha instalado por causa dos chefes.

Castelo gótico à noite visto de cima, com torres pontiagudas, lanternas acesas e jardins ao redor

O selo Verificado conta metade da história

V Rising tem selo de Verificado no Steam Deck, e os quatro testes da Valve passam: controle configurado de fábrica, ícones certos, texto legível e configuração padrão com desempenho adequado. Na maior parte do tempo o selo se sustenta. Andar pelo mapa, resolver um acampamento e mexer no castelo roda liso na configuração que vem pronta.

O problema aparece nos momentos cheios. Reparei nas brigas com muitos inimigos na tela, efeito de magia em cima de efeito de magia: a taxa de quadros cede de um jeito que dá para sentir no meio de um esquive. Não é travamento nem queda de sessão, é aquela hesitação que chega na pior hora e cobra uma tentativa a mais no chefe.

Combate noturno sobre um piso de gelo rachado, com criaturas aladas vermelhas, respingos de sangue e o vampiro atacando de foice

A bateria é a outra conta. Este é um jogo de sessão longa por natureza, porque o ciclo de sair, coletar e voltar não cabe em quinze minutos, e o Deck não acompanha esse ritmo longe da tomada. Acabei jogando quase sempre com o cabo por perto, o que tira metade da graça de ter o jogo em um portátil.

Um jogo terminado, e isso é elogio

O pacote de hoje é o resultado de quatro anos: em acesso antecipado desde 2022, versão 1.0 em maio de 2024 e chegada ao PlayStation 5 um mês depois. Pelo caminho vieram Gloomrot, Invaders of Oakveil e a colaboração paga com Castlevania, que coloca Simon Belmont como chefe opcional. Até novembro de 2025 foram 6 milhões de cópias.

Nada disso está pela metade, e é raro. O jogo tem legendas em português do Brasil, servidor local para jogar com amigos e uma campanha solo que não parece um modo de treino do multijogador.

Conclusão

V Rising continua sendo um dos melhores usos de sobrevivência e ação isométrica dos últimos anos, e o Steam Deck é um lugar honesto para jogá-lo. O ciclo de exploração noturna é dos mais bem calibrados do gênero, os chefes recompensam leitura em vez de reflexo puro e o castelo sustenta sozinho dezenas de horas.

Fica devendo o desempenho nos momentos em que a tela enche e uma autonomia compatível com o tipo de sessão que o jogo pede. São duas coisas do portátil, não do jogo, mas são elas que separam esta versão de uma recomendação sem ressalva.

4 de 5 estrelas

V Rising está disponível para PC e PlayStation 5, por R$ 101,99 na Steam.

Esta review foi feita na versão de Steam Deck.

Curtiu? Compartilhe

Leia também