
Review | Moonlighter 2: The Endless Vault
Moonlighter 2: The Endless Vault coloca uma vassoura na sua mão e manda descer a masmorra. É o mesmo gesto de 2018, quando o lojista Will saía para caçar tesouro armado com o cabo de varrer a própria loja. Continua sendo a melhor piada de apresentação que a série tem.
O resto mudou de corpo. A Digital Sun aposentou o pixel art e reconstruiu o jogo inteiro em 3D isométrico. A sequência saiu em 2 de setembro para PC, PS5, Xbox Series, Game Pass e Nintendo Switch 2, depois de quase oito meses em acesso antecipado na Steam. Joguei no Switch 2, quase sempre no modo portátil, e a troca de pele foi a primeira coisa que me convenceu.

Largar a vassoura é o melhor momento do jogo
Terminado o tutorial, Moonlighter 2 deixa você trocar a vassoura por uma de quatro armas iniciais. Peguei a espada, e foi ali que o jogo me ganhou. O golpe tem peso, o arco do ataque desenha um risco branco na tela, e a mesma sala que antes era um exercício de paciência virou um lugar onde eu queria ficar.
O detalhe é que a vassoura não é um acessório de tutorial jogado fora sem motivo. Ela é a promessa da série toda, a de que esse sujeito não é herói, é comerciante. Quando a espada chega, você não sente que evoluiu de nível. Sente que finalmente comprou a ferramenta certa.
Daí em diante o combate abre em classes de arma, conjuntos de armadura e vantagens que se combinam. A mochila continua no centro de tudo, porque cada espólio ocupa espaço e alguns brigam com os vizinhos. Voltar vivo importa menos do que voltar bem arrumado.
O 3D não foi só trocar de roupa
O salto visual é a mudança mais óbvia e também a mais bem resolvida. As cores são chapadas, a iluminação é macia, e a câmera isométrica dá profundidade sem esconder o que interessa. O jogo ganhou ar novo sem perder o desenho de brinquedo que sempre teve.
Mais importante: o 3D mudou como as fases funcionam. Os cenários agora têm altura, penhasco, ponte suspensa e cano metálico atravessando o vão. Um inimigo do outro lado do abismo é um problema diferente de um inimigo a três passos de você.
No portátil do Switch 2 isso se sustenta. Não peguei queda de quadro, travamento nem carregamento longo em nenhuma sessão. A tela pequena engole parte da informação nos cenários mais cheios, mas nada que atrapalhe a leitura de um combate.

A loja finalmente está à altura da masmorra
Na review do primeiro Moonlighter o balcão já era o que segurava o jogo de pé. Aqui ele cresceu de verdade. Você monta o salão, escolhe o mostruário de cada relíquia, define preço item por item e lê a cara do freguês para saber se exagerou.
O jogo passou a registrar valor de gorjeta, evento especial do dia e vantagem de venda desbloqueada. Existem até bichos de estimação que dão bônus, como o Sir Edwin, que acrescenta brilho às próximas três relíquias colocadas na vitrine. Parece detalhe bobo e vira planejamento.
O resultado é que a parte comercial deixou de ser a pausa entre duas masmorras. Tem dia em que eu voltava do outro mundo com a mochila cheia só para ver quanto conseguia extrair de uma peça que ninguém ainda tinha precificado. A expansão Between Dimensions já apontava esse caminho em 2020, e a sequência entendeu o recado.

Cada dimensão parece um jogo diferente
O que mais me segurou foram as fases. Um cânion de areia clara com máquinas enferrujadas, uma planície de neve azul, ruínas flutuantes debaixo de chuva com chão de pedra esverdeada. A variedade não é só de paleta, é de ritmo e de leitura de combate.
O Endless Vault que dá nome ao jogo é o eixo disso tudo. É um artefato antigo instalado no meio de Tresna, o vilarejo que Moloch tomou, e funciona como desafio escalonado que devolve recompensa para a reconstrução da cidade. Cada camada vencida melhora alguma coisa lá em cima.
Esse laço entre descer, vender e reconstruir é o que Moonlighter 2 faz melhor. Nada do que você cata fica solto.
Onde eu queria menos roguelike
Aqui vai a ressalva honesta, e ela é mais minha do que do jogo. Eu ando cansado de roguelike. Depois de anos de corrida, morte e recomeço, chega uma hora em que a estrutura cansa antes do conteúdo.
Moonlighter 2 tenta fugir disso e tem sucesso parcial. O progresso da cidade, as receitas fixas e o crescimento da loja dão um chão que não se perde na morte. Mesmo assim, teve trecho em que eu queria simplesmente atravessar uma sequência de salas construídas na mão, com começo, meio e fim, sem passar de novo pela negociação com o acaso.
Não acho que isso derrube o jogo. Acho que vale o aviso: se a fórmula já te esgotou, esta sequência melhora o gênero, mas não sai dele.
Conclusão
Moonlighter 2 acerta no lugar mais difícil de uma sequência, que é crescer sem trair o original. O 3D renovou a cara do jogo, as fases ganharam volume e a loja virou o sistema mais interessante do pacote. A vassoura, a mochila apertada e a dupla jornada de lojista e aventureiro continuam intactas.
O que fica devendo é uma alternativa para quem não quer mais recomeçar. O jogo sabe que a corrida cansa e oferece muitos amortecedores, mas o esqueleto segue sendo o de sempre.
É para quem gostou do primeiro e quer mais, e para quem nunca entendeu a graça de calcular o preço de um vaso achado numa dimensão hostil.

Moonlighter 2: The Endless Vault está disponível para PC, PS5, Xbox Series, Game Pass e Nintendo Switch 2. O preço cheio é R$ 88,99 na eShop brasileira e na Steam. A edição física chega em 13 de novembro pela Silver Lining Interactive.
Esta review foi feita na versão de Nintendo Switch 2, jogada a maior parte do tempo no modo portátil.






