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Review | Assassin's Creed Black Flag Resynced
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Review | Assassin's Creed Black Flag Resynced

Em 2013, Assassin's Creed IV: Black Flag resolveu um problema que a própria série tinha criado: o que fazer quando o mundo aberto fica maior que a fantasia que ele deveria sustentar. A resposta foi o mar. Treze anos depois, Black Flag Resynced volta ao Caribe com o jogo inteiro reconstruído do zero, e a resposta continua de pé.

O remake saiu em 9 de julho para PS5, Xbox Series X|S e PC. Quem conduziu o projeto foi a Ubisoft Singapore, estúdio responsável pela parte naval do original, com apoio de outros 14 estúdios da Ubisoft. Nada do código de 2013 sobreviveu: o game roda na versão mais recente da engine Anvil, com iluminação global por ray tracing, renderização de micropolígonos e materiais refeitos.

Edward Kenway em um ponto de sincronização sobre uma enseada pirata, com o Gralha ancorado no cais

O Elefante na sala: A escolha do Black Flag como remake

Inicialmente, quando anunciado o Black Flag como primeiro remake da franquia, senti uma pontada de frustração pois tinha a expectativa de revisitar o mundo do primeiro jogo com muito mais profundidade que a tecnologia da época consegue entregar. Contudo, bastou jogar as primeiras horas de Black Flag pra entender o motivo da escolha. O Ritmo da aventura, bem como a persona de Edward Kenway são excelentes escolhas para colocar a franquia em um novo rumo.

O Caribe foi reconstruído, não repintado

A diferença aparece primeiro na água. O mar de 2013 era um efeito muito bom para a época; o de agora é o assunto da tela. A luz atravessa a crista da onda antes de quebrar, a espuma fica presa no casco por alguns segundos e o horizonte muda de cor conforme o dia passa. Passei mais tempo parado no timão olhando o pôr do sol do que gostaria de admitir.

Debaixo d'água a mudança é igualmente grande. Os naufrágios ganharam corais, esponjas e cardumes que reagem à sua passagem, e a visibilidade filtrada pela superfície dá uma noção de profundidade que o original não conseguia entregar.

Edward nadando entre corais e destroços de um naufrágio, com baús espalhados pelo fundo do mar

O Gralha continua sendo o melhor personagem

A parte naval era o coração do original e foi para onde a Ubisoft Singapore levou a maior parte do trabalho novo. O Gralha (o Jackdaw da versão em inglês) ganhou armas secundárias, e as facções inimigas agora carregam configurações diferentes de canhão e casco, o que muda de verdade a forma de encarar cada bandeira no horizonte.

A adição mais útil são os oficiais. Você recruta e designa cada um para uma função no navio, e todos trazem uma habilidade própria para o combate. É um sistema simples que faz a tripulação deixar de ser cenário.

O Gralha trocando tiros de bordo com um navio espanhol ao pôr do sol

Os assaltos a fortes foram refeitos em torno de uma barra de moral. Em vez de simplesmente esvaziar a guarnição, você derruba a moral dos defensores por partes: silenciando canhões, incendiando depósitos, abatendo oficiais. O forte cai quando a resistência cede, não quando o contador chega a zero.

Assalto ao Forte Dry Tortuga, com a barra de moral do forte na lateral da tela

Combate mais curto, furtividade mais livre

O combate foi reconstruído em cima do aparo. As sequências de golpe ficaram mais curtas, a espada virou a arma principal e a lâmina oculta saiu da roda de combate: ela agora serve para assassinato e execução contextual, como sempre deveria ter sido. Quem gostava de encadear contra-ataques infinitos no original vai estranhar, e eu estranhei nas primeiras horas. Passado o incômodo, o ritmo novo convence: as brigas ficaram mais curtas, mais tensas e mais empolgantes como resultado.

A movimentação recebeu ejeções laterais e para trás, recuperação rápida de queda e agachamento manual em qualquer lugar, o que finalmente dá controle sobre a furtividade em vez de deixá-la no automático. As missões de perseguição e escuta pararam de reiniciar na hora em que você é detectado, uma correção que a série demorou dez anos para fazer. Muitas horas são poupadas com isso!

Edward escondido atrás de um poste em Havana, observando um oficial espanhol e uma mulher em um pátio à noite

O que Darby McDevitt escreveu de novo

Darby McDevitt, roteirista principal do jogo de 2013, voltou para escrever duas cenas inéditas e reescrever uma terceira. A melhor delas coloca Edward diante de Caroline, a esposa que o original mantinha quase inteira fora de quadro, e dá peso ao motivo pelo qual ele foi parar no Caribe.

Barba Negra e Stede Bonnet ganharam arcos maiores, e Anne Bonny recebeu missões novas. As sequências no presente com a Abstergo saíram de cena e foram substituídas por fendas de cenário alternativo, no formato que a série passou a usar em Assassin's Creed Shadows. Fica o aviso para quem esperava o pacote completo: a expansão Freedom Cry, com Adéwalé como protagonista, não está incluída.

Dublagem em português e o estado da versão de PC

O game chegou com áudio completo em português do Brasil, e a localização traduziu até o nome do navio: o Jackdaw virou Gralha. A trilha ficou com Brian Tyler, de volta ao posto que ocupou em 2013, ao lado de Stephen Lukach. As canções de marinheiro ganharam gravações novas, incluindo a versão de Leave Her Johnny feita por Woodkid para o trailer do Summer Game Fest.

O lançamento não foi limpo. Peguei bug de animação, marcador de missão sumindo do mapa e inimigo que voltou a ficar de pé depois de cair. Nada que tenha travado a campanha, mas o suficiente para lembrar que o game chegou às lojas antes de estar pronto. As correções vieram rápido, e hoje a experiência é outra. Enquanto isso, o remake passou de 3,5 milhões de cópias vendidas em duas semanas.

No Xbox Series X, onde joguei, o desempenho se manteve estável do começo ao fim, inclusive nas tempestades em mar aberto, que é onde o game mais pede da máquina.

Edward Kenway ao timão do Gralha ao lado de Adéwalé, com uma baleia saltando ao fundo

Conclusão

Black Flag Resynced acerta na decisão mais difícil de um remake: escolher o que preservar. A estrutura enxuta continua lá, e ela é justamente o que separa este game do inchaço dos mundos abertos que a própria Ubisoft passou a produzir depois. Fechei a campanha em pouco mais de uma semana sem sentir que faltou conteúdo.

O que mudou, mudou com propósito. O mar está mais bonito, a tripulação virou sistema, a furtividade ganhou controle e a história ficou um pouco mais sobre Edward e um pouco menos sobre a Abstergo. Fica devendo o rejogar de missões, o Freedom Cry e um polimento que deveria ter chegado antes do lançamento, não depois.

Para quem jogou em 2013, é a desculpa que faltava para voltar ao Caribe. Para quem nunca jogou, é a melhor porta de entrada da franquia.

4,5 de 5 estrelas

Assassin's Creed Black Flag Resynced está disponível para PS5, Xbox Series X|S e PC.

Esta review foi feita na versão de Xbox Series X.

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