
Review | Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration (Switch 2)
A Aspyr anunciou e lançou Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration no mesmo dia, durante o Nintendo Direct de 9 de junho. Pela primeira vez este capítulo da série aparece em um console da Nintendo, e ele chegou exclusivo para o Nintendo Switch 2, sem versão para o Switch original.
O jogo de 2015 da Crystal Dynamics sempre foi o meio-termo mais equilibrado da trilogia do reboot: mais aberto que Tomb Raider de 2013, mais focado que Shadow of the Tomb Raider. Onze anos depois, essa dosagem continua sendo o motivo de o game funcionar tão bem.

A Sibéria continua sendo uma das coisas mais bonitas de se ver em um portátil
A primeira meia hora já respondeu a pergunta que me interessava. A neve reage ao passo da Lara e guarda o rastro, a nevasca cobre o vale inteiro em camadas de volume e a luz do sinalizador pinta a caverna de laranja enquanto o gelo devolve azul do outro lado. É o mesmo trabalho de arte que colocou o game entre os mais bonitos de 2015, e ele envelheceu muito bem.
O cabelo da Lara, feito com a tecnologia TressFX, continua reagindo ao vento e à água. Os rostos ainda sustentam close-up. As ruínas da cidade soterrada, com a água caindo pela abertura no teto e a cúpula dourada no meio da névoa, seguem entre os cenários mais bem compostos que o gênero já produziu.

Na tela do Switch 2, com a densidade de pixels do modo portátil, o conjunto fica melhor do que a soma técnica sugere. O nível de detalhe é próximo do PlayStation 4 original, e com o console na mão eu tive dificuldade de apontar a diferença. Na TV reparei em algumas texturas de segundo plano mais simples, sem que isso atrapalhasse.

Onze anos depois, o jogo continua sólido
O que sustenta o game hoje é a estrutura. Cada região é um mapa semiaberto com acampamentos, rotas de escalada e tumbas opcionais, e nenhuma delas pede mais do que quarenta minutos. Você entra, resolve o quebra-cabeça físico, sai com uma habilidade nova. É um desenho que respeita o tempo de quem joga em sessões curtas, o que combina bem com um console híbrido.
O arco continua sendo a melhor arma de furtividade que a série já teve. Dá para atravessar um acampamento inteiro sem disparar um tiro, marcando alvos, criando distrações com latas e subindo em árvores para abater de cima. Quando o barulho começa, o combate direto responde bem, ainda que seja a parte mais datada do pacote.

A caça, a coleta e a bancada de melhoria continuam amarrando a exploração ao progresso sem virar burocracia. Você desvia da rota principal porque quer aquele material, não porque um contador pediu.

Os controles que só existem aqui
A Aspyr aproveitou o hardware da Nintendo em três frentes. A mira giroscópica funciona bem para o ajuste fino do arco, o HD Rumble 2 dá textura diferente para cada superfície sob os pés da Lara e o modo mouse do Joy-Con serve para quem prefere apontar com o pulso. São adições opcionais, e nenhuma delas atrapalha quem quiser jogar só no analógico.
O que vem dentro da edição de 20 anos
O pacote é o completo. Estão inclusos os conteúdos do Season Pass, com as expansões Baba Yaga: O Templo da Bruxa, Cold Darkness Awakened e Blood Ties, além do modo Lara's Nightmare e dos modos Endurance solo e cooperativo.
Também entram oito trajes e sete armas extras, 35 cartas de expansão, a dificuldade Extreme Survivor, cinco skins clássicas da Lara e a roupa Antártica inspirada em Tomb Raider III. Para quem nunca jogou, é a versão definitiva sem asterisco.

Os 30 quadros por segundo
Aqui está o ponto que separa o port de uma conversão exemplar. O game roda travado em 30 fps, com engasgos pontuais em algumas transições, e a Aspyr explicou o motivo: chegar aos 60 exigiria cortes sérios, porque o gargalo está na GPU. A escolha foi preservar a apresentação.
É uma decisão defensável, e o resultado é estável do início ao fim. Ainda assim, fica a sensação de conservadorismo em um console que já mostrou ter mais fôlego. Quem vem do PC ou do PS5 vai sentir a diferença nos primeiros minutos e depois se acostuma.
O que importa é que a conversão chegou em ordem, num estado bem melhor do que a de Tomb Raider: Definitive Edition no mesmo console. Joguei a maior parte no modo portátil e não encontrei nada que estragasse a viagem: um engasgo ou outro nas transições, e só.
Conclusão
Rise of the Tomb Raider é o tipo de jogo que envelhece com dignidade porque nunca dependeu de truque técnico. A direção de arte carrega o visual, a estrutura em mapas semiabertos carrega o ritmo e a Lara carrega o resto. Onze anos depois, ele continua entregando exatamente o que promete.
O port da Aspyr faz o serviço com cuidado, junta tudo o que a edição de 20 anos tem para oferecer e ainda acrescenta giroscópio, rumble e modo mouse. Fica devendo os 60 quadros por segundo, e é só isso que separa esta versão de uma recomendação sem ressalva.

Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration está disponível para Nintendo Switch 2 por R$ 129,95 na eShop. No lançamento, quem já tinha Tomb Raider: Definitive Edition ou as coletâneas remasterizadas no Switch recebeu desconto de fidelidade.
Esta review foi feita na versão de Nintendo Switch 2, único console em que o game está disponível.






