Crítica | Star Trek: Sem Fronteiras

“O espaço, a fronteira final…”

Star Trek, ou Jornada nas Estrelas, série criada em 1966 por Gene Roddenberry, mostrou aos telespectadores um mundo futurístico em que problemas atuais como a Guerra Fria ou o preconceito racial seriam questões ultrapassadas e a humanidade havia finalmente se unido por um bem comum e a missão agora era estabelecer a união intergalática. Em uma época de grandes conflitos raciais, clima tenso entre os Estados Unidos e a União Soviética, Star Trek mostrava algo que muitos precisavam, um futuro otimista.

E é nesse sentimento que Star Trek sempre foi pautado, otimismo. Uma vez que alcancemos a paz mundial e a união das nações, quais serão nossos próximos objetivos? O que há a ser explorado no universo uma vez que tenhamos solucionados todos os nossos problemas? Quais maravilhas nos aguardam?

E assim, a série foi criando uma legião de fãs que se afeiçoaram a tripulação da U.S.S Enterprise em sua missão de cinco anos para a exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações…

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A série criou um legado extenso, com diversas séries e filmes lançados nestes 50 anos de história. E em 2009, foi quando J.J Abrams trouxe um novo vigor para a franquia com o seu reboot que não só trouxe de volta os personagens clássicos da franquia, mas também abriu espaço para diversas possibilidades narrativas de uma maneira muito inventiva. Com a chegada dos Romulanos através de um buraco negro e a destruição da U.S.S Kelvin, foi criada uma linha do tempo alternativa, atualmente apelidada de linha do tempo “Kelvin”.

E é nesta linha do tempo que se passa Star Trek sem fronteiras, terceiro filme da nova versão criada por Abrams. Muitos costumam dizer que o terceiro filme de uma trilogia é sempre o pior, e em muitos casos é verdade (As duas trilogias de X-Men são só alguns exemplos). Mas, nem sempre é o que ocorre.

Com J.J Abrams abandonando a direção da franquia, o terceiro filme começou com um pouco de desconfiança. Mas é possível notar que Justin Lin, diretor deste terceiro filme, junto com Simon Pegg, que além de interpretar Scotty atuou como roteirista do filme, e toda a equipe se dedicou imensamente para trazer um filme que fizesse jus não só aos dois primeiros, mas à todo legado que Star Trek carrega. E essa dedicação valeu a pena.

Em Star Trek: Sem Fronteiras a tripulação da U.S.S Enterprise está no meio de sua missão de cinco anos pelo espaço, o que tem deixado o Capitão Kirk um pouco entediado por ter uma rotina tão “episódica”. As coisas rapidamente mudam de figura quando a nave é atacada por uma poderosa espécie alienígena desconhecida. E assim começa a se desenrolar a trama do filme.

A trama do filme não almeja a complexidade e densidade buscada no segundo filme, Star Trek: Além da Escuridão, a coisa aqui é mais direta e simplista, o que não é algo ruim! O filme apresenta uma história que cumpre o seu propósito, intriga, diverte e traz a satisfação de ter acompanhado mais uma aventura da tripulação da Enterprise. É um filme leve e otimista da melhor maneira possível.

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O maior trunfo da franquia atual é o seu elenco, que é extremamente carismático e incorporou os seus personagens de maneira extremamente orgânica. A equipe possui muita química, e com isso em mente que o roteiro foi trabalhado. É muito interessante ver a dinâmica entre os tripulantes, que desta vez vai além da dupla Kirk e Spock para não só explorar mais os outros personagens como também para solidificar a relação entre diferentes membros da equipe. Quem diria que Dr. McCoy e Spock formariam uma dupla tão carismática.

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Apesar de ser um filme otimista, há sempre uma pontada de pesar quando vemos Pavel Chekov, interpretado por Anton Yelchin que faleceu recentemente. O personagem sempre brilhou nos filmes, e é doloroso saber que esta é a última vez em que o veremos nesta franquia. E o mesmo pode ser dito de Leonard Nimoy, que faleceu antes do filme acontecer e também não foi esquecido na trama, uma vez que o Spock original adentrou a linha do tempo Kelvin em seu primeiro filme. Tal qual Justin Lin fez em Velozes e Furiosos 8 com Paul Walker, este também é um filme para homenagear membros que se foram.

Star Trek: Sem Fronteiras consegue trazer muito do que Star Trek sempre prezou, otimismo e diversão. O filme é extremamente leve, com humor pontual e muito bem executado, assim como as cenas de ação que chegam até a superar momentos dos seus antecessores.

De maneira muito simples e competente, o filme cumpre tudo que promete, trazendo uma aventura empolgante e extremamente divertida. O filme é recheado de easter eggs e momentos que agradarão até os fãs mais hardcore da saga. E, apesar do sentimento de exploração espacial que é marca da série estar pouco presente no filme, ele faz questão de deixar claro que este não é o fim da saga para os personagens, que ainda tem muito mais por vir e que a missão da tripulação da Enterprise continua, para ir audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve…

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Vida longa e próspera… \\//,

 

Pedro Cardoso

Editor do Capacitor, apaixonado por games, filmes e literatura sci-fi/fantástica.

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