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Review | Terra-média: Sombras de Mordor e Sombras da Guerra (Switch 2)
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Review | Terra-média: Sombras de Mordor e Sombras da Guerra (Switch 2)

Em 2014, a Monolith Productions colocou na praça um orc que lembrava de quem tinha matado ele. Doze anos depois, joguei Terra-média: Sombras de Mordor e Terra-média: Sombras da Guerra no Nintendo Switch 2, e esse orc rancoroso continua sendo uma das melhores ideias da geração do PlayStation 4.

A versão da Aspyr não é um remaster, e nem tenta ser. É um port caprichado dos dois jogos com todo o conteúdo extra, e a surpresa foi descobrir o quanto o Sistema Nêmesis combina com um console que você leva na mochila.

Talion frente a frente com o espectro de Celebrimbor em Terra-média: Sombras de Mordor

O Sistema Nêmesis ainda vicia como em 2014

Para quem chegou agora: você é Talion, um patrulheiro do Portão Negro que volta da morte ligado ao espectro do elfo Celebrimbor. A história tem seus momentos, mas o que segura o jogo é o exército de Sauron. Cada capitão orc tem nome e manias próprias, além de medos e fraquezas, e reage ao que você faz com ele.

Se um uruk mata você, ele sobe de posto e volta mais forte, muitas vezes zombando da última luta. Se foge, reaparece depois com cicatriz e rancor. Isso transforma inimigos genéricos em rivais pessoais, e é daí que saem as melhores histórias do jogo.

O curioso é que nenhum outro jogo pegou essa ideia de verdade. A Warner Bros. patenteou o sistema nos Estados Unidos em 2021, com validade prevista até 2036. A Monolith foi fechada pela própria Warner em fevereiro de 2025. Ou seja, jogar estes dois ainda é o único jeito de ter essa experiência.

Bando de uruks avança com machados em Terra-média: Sombras de Mordor

Caçar capitães no portátil é o casamento perfeito

O que mais me ganhou foi como o ritmo do Nêmesis encaixa no Switch 2. Dá para abrir o jogo, caçar um capitão específico, sabotar uma fortaleza e largar o console sem a sensação de ter perdido o fio. A hierarquia do exército continua lá, esperando a próxima sessão.

O combate também segue bom. É aquele estilo de contra-ataque e combo que lembra os Batman Arkham, com execuções brutais e furtividade nos telhados. A jogabilidade continua boa, e não peguei um bug sequer nos dois jogos.

A sensação de que sempre foi bonito assim

Achei os dois jogos lindos no Switch 2, a ponto de ter a impressão de que eles sempre tiveram essa cara. Foi em comparação com o original que percebi que a memória estava me enganando. A versão nova tem ganhos reais, ainda que discretos.

Na TV, a resolução dinâmica fica acima da que o PS4 e o Xbox One entregavam, segundo a análise técnica da Nintendo World Report. No portátil, a imagem fica perto de 1080p, a resolução da própria tela. A taxa segue travada em 30 quadros por segundo, como no original, mas estável.

A Aspyr não anunciou texturas ou iluminação novas, então não espere um jogo refeito. O que existe é a versão de 2014 e a de 2017 rodando com mais nitidez, em qualquer lugar. Para mim, isso basta.

Talion no alto de uma muralha de Mordor enquanto um uruk cai de costas

Sombras de Mordor chega pelo preço certo

Aqui vai o elogio que mais faço questão de registrar. Sombras de Mordor Edição Jogo do Ano custa R$ 109,90 na eShop brasileira, menos de 40% dos R$ 279,90 de Sombras da Guerra Edição Definitiva. Por esse valor, você leva o jogo base e todo o passe de temporada.

Isso inclui as campanhas Senhor da Caça e O Senhor Brilhante, em que você controla Celebrimbor. É a porta de entrada ideal para quem nunca jogou a série. O pacote com os dois sai por R$ 389,80, exatamente a soma dos preços, sem desconto nenhum por levar junto.

Sombras da Guerra é maior, e agora sem loja de orcs

A sequência de 2017 amplia tudo. Você forja um novo anel, domina capitães para formar o próprio exército e cerca fortalezas inteiras com eles. Publicamos a review de Sombras da Guerra em 2017, e a escala das batalhas continua enchendo a tela no Switch 2.

A Edição Definitiva traz as expansões A Desolação de Mordor, A Lâmina de Galadriel, Tribo da Matança e Tribo Marginal. A loja de orcs pagos, que manchou o lançamento, saiu do jogo em 2018. Aqui ela nem aparece.

Talion encara um graug coberto de musgo em uma floresta enevoada de Sombras da Guerra

Esta versão foi pensada para jogar offline. A Guarnição funciona sem internet, mas as Conquistas e Vinganças online ficaram de fora, assim como as Arenas de Combate. Baús e Ordens de Treinamento também saíram.

Virei um jogador mimado pelos autosaves

O único ponto que me incomodou foi o salvamento. Não existe save manual, e o progresso só fica guardado em momentos específicos, como ao concluir uma missão ou usar a viagem rápida. Mais de uma vez, precisei refazer missões porque o progresso não tinha ficado salvo.

Assumo a culpa em parte. Os jogos de hoje salvam a cada esquina, e eu virei um jogador mimado pelos autosaves. Ainda assim, num port feito para o portátil, um salvamento mais frequente seria a melhoria de qualidade de vida que mais faz falta.

Talion agarra um orc encapuzado pelo pescoço em Sombras da Guerra

Conclusão

O port da Aspyr acerta no que importa. Os dois jogos estão completos, ficaram mais nítidos que no PS4 e no Xbox One, rodam estáveis e trazem o Sistema Nêmesis para um console que combina com ele. A jogabilidade envelheceu bem, e caçar capitães no portátil vicia.

Fica devendo um salvamento mais generoso, que faria diferença justamente para quem joga em sessões curtas. Também faltou um desconto de verdade no pacote. Mas Sombras de Mordor a R$ 109,90 é das melhores portas de entrada que o Switch 2 tem hoje para quem gosta de mundo aberto e de O Senhor dos Anéis.

4,5 de 5 estrelas

Terra-média: Sombras de Mordor Edição Jogo do Ano (R$ 109,90) e Terra-média: Sombras da Guerra Edição Definitiva (R$ 279,90) estão disponíveis para Nintendo Switch 2 na eShop brasileira, também juntos no pacote por R$ 389,80. As versões originais saíram para PC, PlayStation 4 e Xbox One.

Esta review foi feita na versão de Nintendo Switch 2.

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