O Capacitor
Mulheres que marcaram o gênero western
Filmes

Mulheres que marcaram o gênero western

O gênero faroeste, historicamente dominado por figuras masculinas, passa por uma notável transformação. Nos últimos anos, mais e mais filmes colocaram mulheres no centro da ação, redefinindo o papel das heroínas do Velho Oeste e adicionando novas camadas às narrativas.

Essa mudança acompanha uma renovação do faroeste, que tem visto um aumento de público com produções como The Dead Don't Hurt (2024), de Viggo Mortensen, e as séries de Taylor Sheridan. Essa nova onda ajuda a trazer as personagens femininas para o primeiro plano, mostrando que elas sempre tiveram seu lugar na fronteira.

Desde clássicos de Hollywood até faroestes revisionistas mais recentes, a presença feminina está cada vez mais forte. Apesar de historicamente terem recebido menos atenção da crítica e de premiações, a valorização desses filmes promete mudar esse cenário.

Um exemplo é Johnny Guitar, de 1954. Dirigido por Nicholas Ray, o filme traz Joan Crawford como Vienna, uma proprietária de salão envolvida em tensões com um pistoleiro e uma rival. A obra subverteu as expectativas da época ao apresentar um tiroteio entre duas mulheres, influenciando diretores como Pedro Almodóvar e Todd Haynes.

Joan Crawford como Vienna em Johnny Guitar

Lançado em 1971, Hannie Caulder estrelou Raquel Welch no papel-título. A personagem é uma rancheira viúva em busca de vingança contra os foras-da-lei que mataram seu marido e a atacaram. O filme é reconhecido por sua premissa protofeminista e por ser uma inspiração direta para os filmes de Kill Bill, de Quentin Tarantino.

Já na década de 1990, Bad Girls (1995) reuniu um elenco com Madeleine Stowe, Andie MacDowell, Drew Barrymore e Mary Stuart Masterson. Elas interpretam quatro prostitutas que se tornam foras-da-lei após um incidente. Apesar de não ter feito sucesso na bilheteria inicial, o filme se tornou um cult em home video.

Madeleine Stowe, Mary Stuart Masterson, Andie MacDowell e Drew Barrymore em Bad Girls

Em 2003, Ron Howard dirigiu The Missing, com Cate Blanchett no papel de Maggie Gilkeson. A mulher da fronteira, que vive no Novo México em 1885, precisa se unir ao pai distante, interpretado por Tommy Lee Jones, para resgatar sua filha sequestrada. O longa se destacou ao mostrar Maggie como uma proprietária de rancho autossuficiente.

Cate Blanchett e Tommy Lee Jones em The Missing

Os irmãos Coen trouxeram True Grit em 2010, um remake que deu tanto destaque à atuação de Hailee Steinfeld como a jovem Mattie Ross quanto ao personagem de Jeff Bridges, Rooster Cogburn. A trama acompanha Mattie em sua busca por justiça para o assassinato de seu pai, mostrando a importância da personagem. O filme recebeu 10 indicações ao Oscar.

The Homesman, de 2014, dirigido por Tommy Lee Jones, conta com Hilary Swank como Mary Bee Cuddy. A pioneira deve transportar três mulheres doentes de volta para o leste. O filme é um retrato poderoso dos efeitos da vida na fronteira na saúde mental das mulheres, com a personagem de Swank exibindo uma fúria controlada.

Em 2015, Natalie Portman estrelou Jane Got a Gun, como Jane Hammond. A fazendeira pede ajuda ao ex-noivo para defender sua casa de uma gangue de foras-da-lei. A atuação de Portman é marcante, com a personagem assumindo o controle da situação e desafiando o clichê masculino do gênero.

O diretor holandês Martin Koolhoven trouxe Brimstone em 2016, um faroeste de vingança implacável estrelado por Dakota Fanning como Liz. A protagonista é uma mulher muda perseguida por um pregador sádico. Apesar das críticas mistas, o filme foi elogiado pela atuação de Fanning e por focar em temas como o trauma feminino e a violência patriarcal.

Dakota Fanning em Brimstone

Finalmente, Sofia Coppola dirigiu The Beguiled em 2017, um faroeste revisionista com Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Elle Fanning. A trama se passa em uma escola feminina durante a Guerra Civil, onde a chegada de um soldado da União ferido (interpretado por Colin Farrell) muda tudo. Coppola ganhou o prêmio de Melhor Direção em Cannes, sendo a segunda mulher na história a receber a honra.

(Via Screen Rant)

Curtiu? Compartilhe

Leia também